Freud e o Envelhecimento Humano

 

Bruna de Oliveira

O processo do envelhecimento é caracterizado por um declínio gradual no funcionamento de todos os sistemas corporais- cardiovascular, respiratório, geniturinário, endócrino e imunológico, entre outros. Mas, a crença de que a velhice está invariavelmente associada à enfermidade intelectual e física profunda é um mito.

 Muitas pessoas idosas mantêm suas habilidades cognitivas e capacidades físicas um grau surpreendente. E isso é mantido pela boa qualidade de vida e disposição durante a vida. Essa capacidade também é designada individualmente, de modo autônomo. Não é imposta, porém o preconceito quanto ao termo é de âmbito histórico e sobrevive ainda em nosso meio.

          A atividade física é importante, visto que começamos a ter declínio da massa muscular desde início da idade adulta. Reserva energética maior e melhor vitalidade para se ter um envelhecimento saudável a partir dos 50 anos, principalmente. A partir dos 30 anos de idade é que começamos a perder massa muscular de forma mais expressiva, por isso, quanto mais cedo o início do exercício físico, melhor prevenção de diversos âmbitos, principalmente relacionado à saúde e ao processo de envelhecimento-adoecimento. Reabilitação cognitiva no idoso é visto como forma positiva o uso terapêutico associado à atividade física.

          Os preditores positivos de longevidade são os check up médicos regulares, consumo mínimo ou nenhum de cafeína ou álcool, gratificação no trabalho e percepção de si mesmo como socialmente útil em um papel altruísta, como o de cônjuge, professor, mentor, pai ou avô. As pessoas que atingem 65 anos têm uma expectativa média de vida de mais de aproximadamente 20 anos.

          Quanto ao cenário atual, há pouca evidência de que este conhecimento produzido esteja conseguindo ser traduzido para alcançar os níveis de coletividade, em serviços que o idoso se sinta atraído. Há necessidade de desenvolver intervenções baseadas em evidências sobre uma complexidade de fatores, inclusive o envelhecimento, restando poucas dúvidas de que o conhecimento do comportamento humano é fundamental para saúde populacional.

          O medo da morte, segundo Freud, remete-nos a utilizar da negação da velhice como mecanismo de defesa primitivo para se perpetuar em vida. O retorno à infância, através deste mecanismo, deixa a criança que existe dentro de cada um de nós brincar, independente da idade. Por isso há quem diga que a velhice está na cabeça e não no corpo.

          Freud tem uma teoria do envelhecimento que diz que o progressivo controle do ego e do id com o envelhecimento resulta em crescente autonomia. A regressão permite que modos primitivos de funcionamento reapareçam. Para Erik Erikson, o conflito central na velhice é entre integridade, o sentimento de satisfação que as pessoas têm refletindo uma vida vivida de forma produtiva, e desespero, o sentimento de que a vida tem pouco propósito ou significado. A satisfação na velhice surge somente ao ser ultrapassado o narcisismo e a entrada na intimidade e generosidade.  

          Heinz Kohut diz que os idosos precisam lidar continuamente com a ferida narcisista à medida que tentam se adaptar às perdas biológicas, psicológicas e sociais associadas ao processo de envelhecimento. A manutenção da autoestima é uma tarefa importante da velhice. Enquanto que para Bernice Neugarten diz que o principal conflito da velhice se relaciona ao abandono da posição de autoridade e à avaliação das realizações e competências anteriores. Esta é uma época de reconciliação com as pessoas e de resolução do luto pela morte de outros e pela aproximação da própria morte.