Mau hálito? Saiba os motivos que causam e como tratá-lo

 

Acadêmica da décima fase do Curso de Odontologia da Unifacvest

Franciele de Mattos Chaves Instagram: @mattos_franciele

 

 

A halitose, também conhecida como mau hálito, é um termo geral utilizado para definir um odor desagradável que emana na boca, prejudicando a qualidade de vida. Está presente em cerca de 2,4% até 78% da população e acomete três vezes mais os homens do que as mulheres, principalmente, com idade avançada onde a limitação motora e redução visual torna-se maior, dificultando a correta higienização. Na maioria dos indivíduos com mau cheiro persistente, o odor tem origem na boca, se desenvolvendo a partir de espécies de bactérias anaeróbicas.

A língua, maior causadora do mau hálito, possui diversas papilas gustativas entre as quais se formam criptas, ou seja, saquinhos que retêm resíduos de alimentos, células epiteliais descamadas e placas bacterianas onde as bactérias anaeróbicas gram-negativas realizam a fermentação desses resíduos e a liberação do odor de enxofre. Por isso, o mau hálito quando acordamos pela manhã é comum. A produção de saliva na qual ajuda a remover restos de alimentos e bactérias durante a noite é menor e, portanto, causa maior fermentação das bactérias e, consequentemente, a liberação de enxofre. O mesmo acontece quando não nos alimentamos por horas, resultando na baixa produção de saliva e falta de atrito da língua com o palato. Desta forma, desenvolve um ambiente favorável para a produção das bactérias.

A halitose tem cerca de 80% a 90% de origem na boca, através das doenças gengivais como a gengivite e periodontite, cárie, prótese associada à falta de higiene, incorreta escovação e xerostomia. A xerostomia, também conhecida como boca seca, pode ser uma consequência de problemas respiratórios, na qual pacientes respiram pela boca e sofrem o ressecamento da mucosa. A quantidade de saliva, também pode ser alterada pela falta de líquido e ingerir de dois a três litros de água por dia é recomendado.

 

As doenças sistêmicas também podem estar associadas com a halitose e são responsáveis por cerca de 5% a 10% da sua etiologia, como deficiências renais ou hepáticas, diabetessinusite, problemas respiratórios e tonsilas (amídalas) inflamadas. Problemas estomacais também são citados como uma das consequências responsáveis pela causa do mau hálito. Entretanto, as válvulas que se fecham depois da passagem dos alimentos, nomeados de esfíncteres gastrointestinais, não permitem que a passagem de odor do estômago emane para a boca. Há duas situações na qual o mau hálito pode ser gerado no estômago: arroto ou eructação gástrica e o refluxo gastroesofágico, quando manifesta deficiência no funcionamento da válvula que separa o esôfago do estômago.  

O tratamento para a halitose está relacionado à sua origem. Quando se origina na boca, a redução de microorganismos é indicado por meio do uso diariamente do fiodental, correta escovação após a alimentação, tratamento das doenças periodontais, bochechos anti-sépticos combinados com a remoção mecânica utilizando raspadores de língua ou escovas no dorso da língua (parte de cima da língua) pelo menos três vezes ao dia, ingestão de fibras para auxiliar na limpeza do dorso da língua e chicletes sem açúcar para aumentar a salivação. Entretanto, se a halitose estiver relacionada com doenças sistêmicas, é recomendado procurar um especialista responsável na área.

Não sofra constrangimentos, procure um cirurgião-dentista para realizar consultas regulares e solucionar este problema.

 

REFERÊNCIAS:

VALE, K.L; HORLIANA, A.C.R.T; ROMERO, S.S; DEANA, A.M; GONÇALVES, M.L.L; FERRARI, R.A.M; BUSSADORI, S.K; FERNANDES, K.P.S.  Evaluation of the treatment of halitosis with photodynamic therapy in older patients with complete denture. Medicine. São Paulo, 2019.

SILVA, M.F; LEITE, F.R.M; FERREIRA, L.B; POLA, N.M; SCANNAPIECO, F.A; DEMARCO, F.F; NASCIMENTO, G.G. Estimated prevalence of halitosis: a systematic review and meta-regression analysis. Clin Oral Invest. Germany, 2017.