POR QUE TEMOS A SENSAÇÃO DE QUE O TEMPO ESTÁ PASSANDO RÁPIDO DEMAIS?

Antônio Marcos da Cunha

 

                Antes de responder porque temos a sensação da rapidez assustadora do tempo, responda-me: quem vivia mais, os irmãos antepassados da Idade Média ou nós hoje? Na Idade Média 40 anos era a expectativa de vida em média, aqui no Brasil já ultrapassamos os 70 anos, e já estamos perto dos 80. Logicamente, nós vivemos bem mais que os humanos medievos. A resposta está ERRADA! Os queridos medievos viviam com muito mais intensidade do que nós. Os dias eram longos, os meses, os anos pareciam nunca passar.  Ao dormirem percebiam o quanto o dia tinha sido marcante, com muitas lembranças a serem contadas futuramente. Desta forma, 40 anos vivendo intensamente vale mais do que 100 vivendo de forma ansiosa, sem se dar conta dos detalhes incríveis da vida, como o pôr do sol, uma linda flor, um sorriso de uma criança, o sabor de um chocolate com avelã, um cafezinho bem quentinho com pão de queijo, sem ficar olhando o whatsapp, é claro.

                Mas na Idade Média não havia internet, globalização, as pessoas em sua maioria viviam nos campos, tinham tempo para curtir a vida…Não mesmo, eles trabalhavam duramente desde bem cedo até o anoitecer, só tinham descanso aos domingos e olha lá. A questão não é o tempo e nem as atividades; a questão crucial é como agimos no tempo. Naquela época e até mesmo há algumas décadas atrás as pessoas eram muito mais intensas nos detalhes da vida, dialogavam mais, se visitavam mais, se olhavam nos olhos, se reuniam em família diariamente. Ouvia-se o barulho da chuva, sentia-se os perfumes da natureza, como a terra molhada. Os namorados apaixonados escreviam longas cartas, cheias de poesias. As pessoas liam muito mais.

                O grande problema de não percebemos o tempo passar está na concepção que estamos tendo sobre o significado da nossa existência. Qual é o sentido da vida agitada? Quando pensamos em várias coisas ao mesmo tempo e fizemos isso justificando que é inevitável, logicamente não perceberemos o tempo, e quando dermos conta já estaremos à beira da morte. Um outro problema é a sensação de não estarmos em lugar algum. Um aluno pode estar em sala de aula, mas com os pensamentos na namorada e quando está com a namorada, com os pensamentos ansiosos sobre prova que terá no dia seguinte. Esse mal tem nos afetado muito, pois a mente e o corpo ficam sem sintonia.  Mas não há solução? Usar menos o celular, visitar mais os amigos e parentes é impossível? Tirar folga, férias, ficar em casa de vez em quando com a família sem pensar em trabalho ou nas redes sociais é tão difícil assim? Enfim, essa vida ansiosa, agitada, pensando em várias coisas ao mesmo tempo, sem intensidade está nos fazendo mais felizes?

                Acredito que é possível e extremamente saudável revermos nossas vidas. Ganhar menos e amar mais, dialogar face a face, dar risadas com os amigos, sem olhar no relógio, sentir a natureza e todas as suas belezas, viver com calma, fazendo uma coisa de cada vez. Assim, com certeza o tempo vai demorar a passar, como quando éramos crianças e parecia que o Natal nunca chegava. Nosso corpo e nossa mente estarão em harmonia.  Todos estamos sobre uma grande pressão, principalmente no campo profissional. Mas mesmo assim é possível rever a agenda e priorizar o essencial, como a família e os amigos. Para isso é preciso primeiramente querer, e a partir desse desejo será facilmente possível viver intensamente cada minuto da nossa maravilhosa vida, presente de Deus. O tempo parecerá lento  e como  bem disse Carlos Drummond de Andrade: “ “Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata.” 

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