EU NÃO SOU BURRO, SOU INTELIGENTE!

Antônio Marcos da Cunha 

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Você é muito inteligente? Você é burro? Mais ou menos? A resposta científica para essas três perguntas é não! Não há como medir a inteligência humana: muito, pouco ou mais ou menos. A inteligência é uma força incrível, extremamente complexa e está diretamente ligada aos nossos sentimentos e emoções. Por essa ótica todos somos inteligentes. A confusão está em considerar uma habilidade como a inteligência em sua totalidade. Uma pessoa que desenvolveu a habilidade em memorizar fórmulas e números e na escola conseguiu as melhores notas em matemática não aumentou a sua inteligência, mas tornou-se habilidoso em matemática. A habilidade em memorizar é um aspecto da inteligência. O mesmo ocorre em outras habilidades como por exemplo, a capacidade de falar bem em público. Quem fala bonito não é mais inteligente, pois a sua habilidade retórica é um aspecto da sua inteligência.

A inteligência humana é ainda um grande mistério para a ciência moderna. Considero-a como o maior fenômeno do universo, um presente de Deus. Ela é um dom intrínseco aos anseios da nossa alma. Portanto, não existe a possibilidade de separar a inteligência dos sentimentos. Como posso medir um sentimento? Da mesma forma como posso medir a inteligência de alguém? É fácil explicar: se você for a uma festa agradável, com muitos amigos, boa música, comida saborosa e ficar lá muitas horas, quando alguém lhe perguntar sobre a festa, com certeza lembrará de tudo e com facilidade relatará detalhe por detalhe, entretanto, se for fazer uma prova de uma matéria que não gosta, você terá dificuldade em lembrar da fala do professor que durou alguns minutos e poderá obter uma nota muito baixa. Como é possível lembrar dos detalhes de uma festa que durou horas e ter dificuldade em lembrar de uma aula que durou minutos? Faltou inteligência?  Não! Faltou motivação! Quando focamos em algo de forma holística, ou seja, interligamos a mente e as emoções num mesmo sentido, ampliamos nossa capacidade cognitiva.

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A inteligência é um substantivo feminino, tem a sua origem no latim, vem de INTELLEGENTIA, que significa “capacidade de entender”, de INTELLIGERE, formada por INTER-: “entre” e LEGERE: “escolher”. Portanto, o vocábulo inteligência refere-se ao que se revela INTELLEGENS (inteligente), ou aquele que compreende, percebe, conhece e sabe discernir sobre determinadas questões. O verbo latino – LEGERE – também significa “ler”, pois a leitura é também uma escolha, é um juntar de letras, palavras e períodos. A origem da palavra inteligência deixa evidente a sua complexidade. Discernir, compreender, escolher, são atitudes que estão no campo dos sentimentos, da intuição. Portanto impossível de mensurar. Como é possível dar um número, uma quantidade para o ato de discernir ou compreender algo?

Muitas injustiças foram cometidas pela falta de conhecimento sobre a inteligência humana e ainda hoje muitas pessoas são classificadas como menos ou mais inteligentes, como se fosse possível atribuir um quociente para a inteligência. Não acredito no teste de QI, pois atribuir uma quantidade à inteligência humana é no mínimo uma falácia que gera muito preconceito e discriminação. O teste de QI (Quociente de Inteligência) surgiu na França em 1905. O ministro da Educação, na época, queria que as crianças tivessem acesso à escola, mas para proporcionar um ensino adequado a todos, pensou que seria preciso diferenciar as dificuldades de aprendizagem. Para resolver o problema, procurou o psicólogo Alfred Binet que criou uma série de 30 tarefas de dificuldade progressiva. O resultado mostrava se as habilidades da criança estavam de acordo com o esperado para sua idade, ou seja, se ela era “normal ou retardada”. Nasciam assim, as bases do teste de QI. Depois de se tornar popular na Europa, os testes chegaram aos Estados Unidos. Lá, mais do que em qualquer outro lugar do mundo, tornaram-se uma das principais ferramentas para avaliar deficiências na aprendizagem, selecionar candidatos e estudar as habilidades mentais do ser humano. Ao mesmo tempo, os testes foram acusados de discriminar etnias e de propagar ideias tortuosas, como a que diz que inteligência é hereditária e, por isso, imutável.

 O único critério para ser inteligente é ter nascido vivo. Se você está vivo, lendo este artigo significa que é inteligente. Conheci muitas pessoas que na escola tinham dificuldades em matemática, outros não tinham habilidade com as palavras, mas ambos foram bem sucedidos na vida profissional e afetiva. Descobriram seus talentos, se motivaram e assim alcançaram o sucesso. Mas infelizmente muitos ainda tacham de “burros” os que tem dificuldades em algumas matérias, como a matemática e a língua portuguesa.

 Charles Darwin, famoso naturalista inglês do século XVIII foi considerado um menino intelectualmente abaixo da média por todos seus mestres e até mesmo pelo seu pai. No século XIX, o estadunidense Thomas Edison foi desacreditado por várias pessoas. Um de seus professores chegou a dizer que ele era burro demais para aprender. Suas ideias mudaram o mundo.  A lâmpada elétrica incandescente e o gramofone são algumas das suas invenções. Nikolas Tesla, nascido em meados do século XIX no antigo império Austro-Húngaro, Inventor nos campos da engenharia mecânica e eletrotécnica era descrito como misterioso e antissocial. O resultado de suas horas dedicadas aos estudos é a consideração de ser uma das mentes mais brilhantes, mas antes disso foi considerado louco pela sociedade e desacreditado pelo mundo científico. O francês Louis Pasteur obteve em 1842 o bacharelado em ciências, sendo-lhe atribuída a nota de “medíocre” em química. Isso mesmo, “medíocre”! Entre os 22 alunos de química, ele foi o décimo quinto. Suas ideias e pensamentos avançados sobre assuntos que a maioria desconhecia eram considerados tolices por seus superiores e colegas. Pasteur, considerado “burro”, foi um dos maiores cientistas da história, sendo lembrado por suas notáveis descobertas das causas e prevenções de doenças. Suas descobertas reduziram a mortalidade de febre puerperal e ele criou a primeira vacina para a raiva. Seus experimentos deram fundamento para a teoria microbiológica da doença. Foi mais conhecido do público em geral por inventar um método para impedir que leite e vinho causassem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização. Pasteur também fez muitas descobertas no campo da química, principalmente a base molecular para a assimetria de certos cristais.

Acredito que Deus nos concedeu um presente inestimável, a nossa inteligência. Ela é fantástica, com ela podemos pensar, criar inúmeras ideias, sonhar. Conseguimos imaginar, viajar no tempo, perceber a manifestação da natureza, amar, ter alegria. A Inteligência é um dom maravilhoso atribuída a todos os seres humanos. Ninguém pode ser chamado de” burro” pois não sabemos verdadeiramente a capacidade de cada um. Posso afirmar com certeza: Eu não sou burro, sou inteligente. Você acredita nisso? Não se auto subestime, valorize-se, acredite: você herdou algo incrível e misterioso, a sua inteligência. Com ela você pode ir muito além do que já imaginou. Siga em frente, vá além.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências:

 

https://www.gramatica.net.br/origem-das-palavras/etimologia-de-inteligencia/

http://super.abril.com.br/ciencia/o-cerebro-numa-regua/

https://ahduvido.com.br/11-genios-e-inventores-que-foram-subestimados-e-rejeitados-antes-de-alcancar-o-sucesso/