NÃO HÁ ESCURIDÃO PARA QUEM TEM FÉ

Adilson e Luzia, dois seres humanos determinados, um casal vencedor. Foram essas qualidades que transpareceram na conversa amigável que tivemos. Mesmo em meio à escuridão da deficiência visual eles deram a volta por cima com fé em Deus e muita determinação. Hoje formam uma família feliz com duas filhas adoráveis. Juntamente com a Eliete, mãe da Luzia, vivem em uma bela casa com flores por todos os lados em um lar aconchegante.

Não foi fácil, nada fácil! Ambos tiveram que vencer muitos obstáculos para a reabilitação e a conquista de um lugar ao sol. Adilson e Luzia são profissionais competentes, dedicam suas vidas à família, à profissão e também estão à frente da Associação dos Deficientes Visuais do Planalto Serrano (ADEVIPS)

A deficiência visual não impediu que eles pudessem ter vida ativa: locomovem-se pela cidade, viajam, sabem fazer os afazeres domésticos e cuidam com muita maestria das suas duas filhas. Navegam pelas redes sociais, sabem usar equipamentos eletroeletrônicos, computadores, televisão, celular, etc. São desportistas, participam de eventos diversos em Lages e em vários lugares do Brasil.

Veja a seguir a entrevista que eles gentilmente concederam. Tenho certeza que a história deles nos ensinará muito como superarmos os obstáculos das nossas vidas.

“Não desistam de lutar por mais difícil que seja a luta, a vitória é certa para quem está com Deus.”

 (LuziaWolff França)

 

F&C -  Luzia muito obrigado por me receber em sua casa e conceder esta entrevista.

Obrigada, eu que agradeço.

F&C Sua deficiência visual é de nascença ou aconteceu mais tarde?

 Já nasci com a deficiência, mas só aos seis meses meus pais descobriram. Eles me levaram a vários médicos e disseram que eu tinha atrofia no nervo ótico e que não tinha solução para minha deficiência. Depois de muito tempo um oftalmologista afirmou que eu poderia enxergar um pouco, ser baixa visão, porém não deu mais tempo, pois teria que ter feito um tratamento quando eu ainda era bebê.

 

F&C- Como foi sua vida escolar?

Frequentei o ensino regular, fiz faculdade e pós-graduação. Na escola tive muito apoio de colegas e dos professores. Alguns professores tiveram preconceito comigo, mas eu venci, provei para eles a minha capacidade e hoje estou aqui sempre correndo atrás e na luta.

 

F&C – Você estudou o sistema de leitura para cegos, o Braile?

Com seis anos comecei a estudar o braile e com 11 anos estava no ensino regular com alunos sem deficiência visual.

 

F&C - Como você conheceu seu esposo, o Adilson?

Conheci o Adilson em Florianópolis quando fui fazer faculdade e estudar na Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC). Ele também participava desta Associação, depois de um tempo de amizade começamos a namorar, noivamos e estamos casados há 12 anos.

 

F&C- Além do seu trabalho como pedagoga você também é canta. O que o ato de cantar lhe proporciona?

Gosto de cantar faz bem para o espírito, você pode estar aborrecido, mas começa a cantar e já espanta todos os males.

 

F&C- Seu casamento com o Adilson lhe trouxe dois presentes, suas duas filhas. Como é a relação com as suas meninas?

A Julia tem 11 anos e Laurinha 3 anos. São meninas muito queridas.  Nós dois cuidamos delas: mamadeira, trocar fralda, banho e tudo mais. Aprendemos isso na ACIC.  Conto também com o apoio da minha mãe Eliete que está sempre junto com a gente. Temos uma família feliz.

 

F&C- Em algum momento da sua vida você já questionou a Deus sobre sua deficiência visual?

Não, nunca questionei, acredito que Deus tem um propósito na minha vida e para eu cumprir esse propósito vim com essa deficiência. Assim vou seguir em frente sem tentar descobrir os porquês e aceitar os desígnios de Deus.

 

F&C – Mesmo com deficiência visual você é uma mulher feliz?

Sim, sou uma mulher feliz, profissionalmente bem realizada, tenho uma família abençoada.

 

F&C – Atualmente você está à frente da ADEVIPS no cargo de presidente. Fala para nós sobre essa associação.

A ADEVIPS (Associação dos Deficientes Visuais do Planalto Catarinense) Procura fazer o mesmo trabalho da ACIC de Florianópolis. Nosso principal objetivo é reabilitar os deficientes visuais, torná-los independentes para que possam viver bem no mundo, fora de suas casas e inseri-los no mercado de trabalho. Outro objetivo é proporcionar uma socialização saudável, até por que muitos dos nossos associados não tiveram apoio familiar como eu tive.

 

F&C- A ADEVIPS é uma associação sem fins lucrativos e necessita muito da ajuda, seja dos órgãos governamentais, empresas privadas e de quem tem bom coração. Quem quiser ajudar como faz para entrar em contato com a associação?

Nós temos um telefone à disposição: (49) 99973 2831 para quem quiser ajudar. Ligue para nós, a sua doação ajudará muito a todos os deficientes visuais que fazem parte da nossa associação. Desde já Deus lhe pague.

 

F&C- Para finalizar, deixe para nossos queridos internautas uma mensagem.

Para as pessoas que irão ler esta matéria eu digo: Não desistam de lutar, por mais difícil que seja a luta a vitória é certa para quem está com Deus.

 

 

 

 

 

“Com Deus no coração e fé a gente supera tudo”

(Adilson França)

F&C Muito obrigado Adilson por me receber em sua casa e conceder esta entrevista.

Eu é que agradeço por fazer parte dessa entrevista, muito agradecido mesmo.

F&C Sua deficiência visual é de nascença ou aconteceu mais tarde ?

Foi em um acidente de moto e perdi totalmente a visão. Eu até poderia recuperar parte dela, mas como estava com vários traumatismos na cabeça o médico deu preferência a minha vida cuidando do que era mais urgente e depois quando foi fazer cirurgia no olho já não dava mais tempo.

F&C como foi sua superação depois que você ficou deficiente visual?

Eu fiquei 20 dias no hospital e nesse período não sabia que estava cego, só descobri quando fui fazer a cirurgia no olho. Sou uma pessoa calma e acredito muito em Deus, isso ajudou muito a superar essa dificuldade. Tive também apoio dos amigos e da família. Tudo isso me ajudou a ter uma vida normal mesmo com a deficiência.

F&C Qual era a sua idade quando isso ocorreu e qual era a sua profissão?

Eu tinha 22 anos, quase 23. Eu sou técnico em eletromecânica, mas na época estava trabalhando numa indústria na cidade de Tubarão, SC onde residia com minha família. Eu era operador de anodização, que é um tratamento eletroquímico no alumínio para aumentar sua resistência.

F&C Depois do acidente quando tempo levou para você ir para a ACIC em Florianópolis?

Eu fui para a ACIC 11 meses depois do acidente.

F&C Como foi sua reabilitação lá na ACIC?

Eu tive que reaprender tudo me reabilitei e aprendi como ter uma vida normal e seguir em frente, mesmo com a deficiência.

F&C Como é sua vida familiar hoje?

É bem tranquilo, temos uma vida normal como qualquer outra família. Divertimo-nos, vamos a eventos culturais, as meninas vão à escola, tudo como qualquer outra família. Elas entendem bem que seus pais são deficientes e nos tratam com carinho e respeito. Elas não têm deficiência, enxergam normalmente.

 

F&C Você foi presidente da ADEVIPS por dois mandatos consecutivos. Atualmente qual a sua função nessa associação?

Eu sou diretor administrativo.

F&C Adilson deixe uma mensagem para os nossos internautas.

Nunca desamine com as barreiras da vida, com Deus no coração e fé superamos tudo.