Não sinto mais prazer em trabalhar, estudar e até mesmo em me divertir! E agora?

Antônio Marcos da Cunha

 

Você já se sentiu assim? Conhece alguém nessa situação? Muitas pessoas de todas as classes sociais estão totalmente desmotivadas, não sentem mais prazer em nada, até mesmo no lazer. Há solução para esse estado perturbador da alma? Com certeza sim! E não custa nada dar a volta por cima e desfrutar do verdadeiro prazer, ter alegria e muita motivação. 

Não pretendo trazer fórmulas mágicas ou frases de impacto, usadas em palestras de autoajuda, para explicar esse sentimento terrível de desprazer que afeta milhões de pessoas; apenas vou partilhar contigo o que eu faço para combater o desânimo e a desmotivação em minha vida. Apresento aqui dois fatores e possíveis soluções.

Vamos lá! Eu, como como qualquer outro ser humano deste planeta, já me senti desmotivado, então fica tranquilo (a) isso pode acontecer com qualquer pessoa. O primeiro fator é o desânimo que vem da alma e se projeta na mente, na química no cérebro. Explico: nosso corpo físico, a mente (cérebro) e a alma estão interligados e quando uma das partes é afetada, afeta o todo. Estou revelando aqui uma crença minha, pois tenho convicção de que somos corpo e alma. O corpo é a parte física, cabeça, tronco, membros, sangue, coração, etc.  A alma,  onde se processam os pensamentos, a inteligência, os sentimentos e emoções. A alma  tem uma natureza espiritual, o sopro de Deus, a essência da vida. 

O desânimo, a falta de prazer pode ser um problema espiritual que afeta a alma e o corpo. Nossas emoções mal resolvidas, traumas, ansiedades, frustrações afetam diretamente a alma e como consequência a mente fica desordenada, a química, por assim dizer, do nosso cérebro fica desequilibrada e por fim nosso corpo será diretamente afetado. A ciência há muito tempo já vem alertando sobre as tais doenças psicossomáticas. A própria filosofia há dois milênios atrás já enfatizava essa questão, prova disso é a célebre frase do filósofo romano Juvenal: “Men sana in corpore sano” (Mente sadia, corpo sadio.)

Mas o que fazer então? Descubra onde está a raiz do problema, ou seja, quando tudo começou. Qual foi o motivo principal que desencadeou esse desânimo. A desmotivação é fruto de um acontecimento extremamente negativo que afetou a sua alma. Pense comigo, se a luz do motor do carro começa a acender no painel você precisa imediatamente levar o carro, com o motor comprometido, a uma oficina, do contrário ele vai fundir e o prejuízo será bem maior. A solução está em quebrar a lâmpada que acende no painel ou arrumar o motor? O mesmo ocorre com o desânimo. Não adianta mudar de emprego, de família, de cidade, de roupa, etc. A solução está em eliminar o problema na origem, descobrir a ferida da alma.

 Há inúmeros psicólogos competentes que podem ajudar significativamente na descoberta da raiz do problema. Outra solução profícua e que particularmente faço todos os dias é buscar em Deus a cura da alma através de uma oração simples e sincera. Todos os dias faço isso, converso com Deus e desabafo, falo tudo mesmo, e ao final entrego minha vida, minha família e peço uma luz para enfrentar com sabedoria os desafios de cada dia. Quando percebo que as atividades da vida estão me desmotivando, converso com mais frequência com Deus e rezo mais, louvo pela sua bondade a assim sucessivamente. Não deixo minha mente ser perturbada com maus pensamentos e ideias negativas. Sempre quando surge um pensamento desanimador, imediatamente troco por um pensamento animador, por exemplo, quando surge um pensamento tenebroso sobre minha vida financeira imediatamente digo para mim mesmo: eu vou sustentar minha família com abundância, vou pagar todas minhas contas e vou ainda ajudar muitas pessoas, pois sou capaz, sou inteligente, Deus está comigo....

Outro fator do desânimo extremo é a saturação mental. Muitas vezes a vida corrida, atrelada somente ao trabalho, dinheiro, carreira, torna nossa mente saturada. Em outras palavras, ficamos irritados, ansiosos, os pensamentos aceleram e como resultado vem as dores crônicas de cabeça, e por todo o corpo. Quando chegamos a este estado nocivo, nosso cérebro, que é uma máquina incrível, mandará recados para que façamos uma parada radical nos abusos que estamos cometendo contra nossa vida. Um desses aviso é o desprazer que vai gerar um desânimo quase total. Muitas pessoas enfartaram, tiveram AVCs, ou tiveram um estresse profundo por não redimensionarem suas vidas e mudarem os seus hábitos. O desânimo pode ser o resultado da saturação que afetou seriamente a mente. Nesse caso só há uma solução, o descanso, a mente precisa urgentemente desacelerar.

 Qual foi a última vez que assistimos a um filme com a família, comendo uma saborosa pipoca? Ou quando paramos para ler um livro com calma? Precisamos rever nossos conceitos de trabalho e vida. O trabalho é importante, mas não é a vida e sim um aspecto dela. Viver a ferro e fogo de forma acelerada é a causa principal que culmina no desânimo. A mente não suporta muita informação e muito menos acúmulo de preocupação. Mais uma vez a necessidade de estar em sintonia com Deus é a solução. Deus é perfeito e sabe tudo do que precisamos. O melhor mesmo é correr o “risco” de trabalhar menos e confiar mais. Não é fácil, isso gera medo. Porém muito pior do que arriscar a trabalhar menos e viver com calma é a depressão profunda que pode vir após o desânimo. Não vale a pena gastar a saúde do corpo e da alma por um pouco mais de dinheiro e estabilidade. A vida é uma só nesta Terra, precisamos investir em primeiro lugar no amor à família, aos amigos e a nós mesmos. Precisamos cuidar bem do nosso corpo e da nossa mente, pois a vida é um bem precioso e como disse Sêneca: “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida.