A BURRICE É UMA DOENÇA?

A BURRICE É UMA DOENÇA?

 

Estou convicto que não! Há estudiosos que afirmam que a burrice pode ser patológica, mas não há nada cientificamente provado sobre isso. A burrice é uma atitude emocional. Explico: quando repetimos os mesmos erros, estamos sendo “burros”. Burrice é uma inflexibilidade. Por exemplo, muitos alunos têm enormes dificuldades em matemática e a maioria fica sofrendo com essa dificuldade e não toma uma atitude radical para vencer esse sofrimento. A atitude radical seria estudar para valer, pedir ajuda aos pais, professores aos colegas. Mas não, preferem o sofrimento das notas baixas e da reprovação do que tomar uma atitude séria. Burrice é não querer sair da zona de conforto. O mesmo ocorre em qualquer outra situação da vida, como na manutenção de amizades que não fazem crescer como pessoa, na busca pelo mais fácil ao invés de trilhar o caminho correto, e assim por diante.

Nos meus 24 anos de docência fui testemunha ocular de inúmeros alunos considerados “burros” que saíram da zona de conforto e hoje são profissionais bem sucedidos. Se eles fossem patologicamente burros como conseguiriam ser bem sucedidos? O maior obstáculo do baixo rendimento escolar é a desmotivação. Creio que nem todos são experts em matemática, mas com dedicação e determinação é possível passar de ano; e isso vale para qualquer matéria.

Evidentemente, uns têm mais habilidades com as ciências exatas, outros com as humanas e alguns são eficazes em ambas, porém um aluno normal pode ter boas notas mesmo que não seja um exímio matemático ou letrado. Burrice é ver o barco naufragar e não tentar pegar o bote salva-vidas. O maior desafio para abandonar a burrice é entender a própria burrice.  Uma pessoa que há muitos anos está na zona de conforto acaba se acostumando com isso e não percebe que o grande mal da sua vida está em não perceber isso. Em outras palavras, o burro não sabe que é burro, no verdadeiro significado da palavra. E a tal zona de conforto torna-se um vício invisível.

 A tal da burrice está associada à preguiça e ela tem uma explicação: geralmente decorre de uma grande desmotivação. Muitas vezes a culpa não é do aluno mas dos diversos fatores que levaram a sua desmotivação. Muitos alunos considerados “fracos” na verdade não tiveram acompanhamento pedagógico de qualidade desde o início, lá nas séries iniciais. Muitos foram aprovados automaticamente sem comprovarem que tinham conhecimentos básicos. O tempo foi passando e agora estão nas séries finais do ensino fundamental ou no ensino médio e não conseguem fazer um cálculo simples que envolva as quatro operações ou fazer uma redação curta sem inúmeros erros ortográficos. Conheço muitos alunos adolescentes nessa situação, totalmente desmotivados, que não conseguem abstrair os conteúdos das disciplinas. Para esses alunos fazer tarefa em casa é algo desmotivador, muitas vezes interpretado como preguiça, malandragem.

Temos muitas possibilidades, somos inteligentes, prova disso é que sabemos falar o português, uma língua difícil, cheia de regras. Se conseguimos falar português conseguiremos obter vários conhecimentos. O segredo do sucesso é sair da zona de conforto e tomar uma atitude.