SUICÍDIO: GRANDE PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

Bruna de Oliveira – Estudante de Medicina (UFFS)

 

O suicídio é uma grande questão de saúde pública em todos os países, segundo a Organização Mundial da Saúde. Estima-se que mais de 800 mil pessoas morreram por suicídio no último ano em todo o mundo e as taxas só têm previsão de aumento.

A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio, e a cada três segundos, uma pessoa atenta contra a própria vida.

 Em 2020, acredita-se que poderá ocorrer um incremento de 50% na incidência anual de mortes por suicídio em todo o mundo, sendo que o número de vidas perdidas desta forma, a cada ano, ultrapassa o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados. Além disso, cada suicídio tem um sério impacto na vida de pelo menos outras seis pessoas.

O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios. As identificações de fatores de risco são cruciais para o manejo rápido da pessoa. Entre os fatores se destacam pensamentos suicidas, doença mental, desesperança, desespero, desamparo, impulsividade, história familiar, doenças não psiquiátricas – como câncer, HIV, doenças neurológicas, eventos traumáticos na infância e adolescência, além de fatores sociais.

 Observa-se que óbitos por suicídio é mais comum em homens, enquanto que tentativas de suicídio são prevalentes em mulheres.

Sabe-se que praticamente 100% dos suicidas tinham uma doença mental, muitas vezes não diagnosticada ou não tratada. Cerca de 60% dos que morreram nunca consultaram com um psiquiatra ou psicólogo. Metade dos que morreram foram a uma consulta médica em algum momento do período de seis meses que antecederam a morte. 80% foram ao médico não psiquiatra no mês anterior ao suicídio. E quase totalidade deles conversaram com familiares ou amigos próximos sobre seus problemas e não obtiveram ajuda.

Esses números trazem uma reflexão da necessidade de debate e atenção em relação às pessoas. Ninguém sabe o que a outra pessoa está passando interiormente, então qualquer sinal é relevante. Encarar a realidade atual da questão em nosso país e em nosso meio é fundamental para se construir meios de resgate a essas pessoas, possibilitando a prevenção do suicídio. O importante na sociedade é ter consciência que a melhora e a identificação dessas pessoas vão além dos profissionais da saúde, parte de dentro de casa, no dia a dia e, para a mudança desse cenário, os olhos e ouvidos precisam também ser seus, pois você é um fator contribuinte e promissor, capaz de recuperar e colorir vidas, não apenas no setembro amarelo, mas todos os dias do ano. Contribua, alguém precisa de você!

 

 

Referências Bibliográficas:

Neves MCL, Meleiro A., Souza FGM, Silva AG, Corrêa, H. Suicídio: fatores de risco e avaliação, 51 10: 66-73. Brasília: Med 2014.

Brasil, Ministério da Saúde. Portaria nº 1.271, de 24 de junho de 2017.

Corrêa NJ, D´Oliveira CF, Cis CF, Stefanello S. Prevenção do suicídio: manual dirigido profissionais da saúde da atenção básica recursos da comunidade. São Paulo. Unicamp, 2009.

Bertolote JM, Fleischmann. A suicide and psychiatric diagnosis: a worldwide perspective, 2002.