O papel da espiritualidade/religiosidade na medicina

 

Bruna de Oliveira - Estudante de medicina-UFFS

 

O enfrentamento de enfermidades, como o câncer, envolve diversos vínculos e sentimentos. A influência da religiosidade e da espiritualidade tem papel crucial no decorrer do período de luta.

É sabido que ciência e fé no ocidente, historicamente, possuem um conflito assíduo se estendendo ao campo da saúde. Desde a Revolução Científica, uma das marcas do século XVI, o enfoque da doença supervalorizou o físico-biológico em detrimento do psíquico, social, espiritual.

Já, no século XX, após acompanhamentos de pessoas com doenças crônicas, observou-se que o fator psicológico influencia diretamente em como encarar o problema, como lutar e como será o desfecho, seja para o doente seja para os seus cuidadores.

Em diversas pesquisas realizadas com pacientes portadores de diferentes tipos de doenças, observou-se que a fé foi avaliada como fonte de conforto e segurança, sendo suporte tanto para o paciente crer no alívio dos seus sintomas e dos sentimentos quanto para os familiares que o acompanham.

De acordo com Seidl, Tróccoli e Zannon, as estratégias de enfrentamento são classificadas de acordo com suas funções e podem estar focadas no problema ou na emoção. O enfrentamento focado no problema constitui-se de estratégias ativas (planejamento e solução de problemas) de aproximação em relação ao estressor. A estratégia de enfrentamento focada na emoção tem como função a regulação da resposta emocional causada pelo estressor, podendo ser representada por atitudes como a esquiva e a negação. O enfrentamento religioso pode estar relacionado tanto às estratégias focadas no problema quanto às estratégias focadas na emoção.

A fé e a religião, de modo geral, ajuda a amenizar o sentimento de culpa, de condenação que muitos enfermos sentem, além de proporcionar uma adesão maior ao tratamento ofertado. O temor da morte também é abraçado pela esperança da cura ou do final indolor - reduzir a ansiedade e o sofrimento.

É notório, que apesar das constatações de inúmeros pontos positivos dessa questão, há muita resistência no exercício dela por meio dos profissionais atuantes diretamente com essas pessoas – fator que favoreceria ainda mais um bom desfecho. Há uma escassez, também, de serviços de apoio religioso nos hospitais.

Por fim, a reflexão que paira é do quanto a religiosidade e a espiritualidade se tornam alicerce no momento da dor, seja ela qual for. É preciso suprir os vazios que as tormentas causam e a fé cumpre esse papel de preenchimento, de luz e de esperança necessários para seguir vivendo ou se preparar para o fim.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Dalgalarrondo, P. (2008). Religião, psicopatologia e saúde mental. Porto Alegre, RS: Artmed.

Seidl, E. M. F., Tróccoli, B. T., & Zannon, C. M. L. C. (2001) Análise fatorial de uma medida de estratégias de enfrentamento. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 17, 225-234.

Ecklund, E. H., Cadge, W., Gage, E. A., & Catlin, E. A. (2007). The religious and spiritual beliefs and practices of academic pediatric oncologists in the United States. Journal of Pediatric Hematology/Oncology, 29(11), 736-742.

Fitchett, G., & Canada, A. L. (2010). The hole of religion/spirituality in coping with cancer: evidence, assessment, and intervention. In J. C. Holland, W. S. Breitbart, P. B. Jacobsen, M. S. Lederberg, M. J. Loscalzo & R. McCorkle (Ogs.), Psycho-oncology (pp. 440-446). New York, NY: Oxford University Press.